segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Comportamento dos clientes em 2016 - Vendas Novas

Amigos,


Em continuidade ao post anterior, vamos hoje analisar o comportamento dos novos clientes nos últimos dois anos, com ênfase especial em 2016.

O que todos notamos este ano, assim como em 2015, foi uma postura muito cautelosa do consumidor, fruto da crise e da expectativa sobre o futuro da economia, evidente que todos os indicadores de confiança estiveram abaixo dos patamares de 2013 e 2014, embora seja verdade que em 2016 verificou-se um crescimento da expectativa que voltou a recuar nos meses de outubro e novembro, conforme gráfico abaixo.



Quando analisamos o outro lado da moeda, ou seja, as empresas, o resultado é semelhante, os indicadores de expectativa do setor de serviços, por exemplo, se comportaram exatamente como as expectativas do consumidor final, com crescimento em 2016 com queda em outubro e novembro.



Estes são apenas alguns indicadores econômicos, no geral, nossa economia recuou fortemente pelo segundo ano consecutivo, hoje, o PIB  está nos patamares de 2012.

Tudo isto impactou a atitude das empresas, notamos, nas vendas novas (vendas complexas), que os tempos de concretização dos negócios foram fortemente ampliados, ou seja, no jargão comercial, os funis de venda se comportaram de forma mais lenta, os negócios não avançavam, mas via de regra, também não eram totalmente abortados.

Previsões de venda foram impactadas o que refletiu fortemente no faturamento das empresas, embora, comercialmente, algumas empresas tenham conseguido, de alguma forma, manter o volume de vendas, dependendo do preparo e planejamento em vendas. Contudo, não há como negar que as margens e rentabilidade das empresas foram afetadas.

Outros dois pontos foram notados, o primeiro, referente ao comportamento do fluxo de pagamento dos projetos, ou seja, quando o cliente decidia comprar, em grande parte dos negócios percebemos um fracionamento maior dos pagamentos, mesmo que isto significasse tempo maior do projeto. Isto se deve a falta de confiança na execução orçamentária e principalmente de orçamentos mais restritos.  
Na indústria de TI, percebemos que apenas projetos relacionados a questões legais ou que poderiam retornar o investimento em um ciclo curto de tempo foram adiante.

Além disso, outro fator importante foi a mudança, ou melhor dizendo, uma aceleração dos modelos de negócio baseados em “aluguel” ou outsourcing. Em TI, o modelo de aquisição na modalidade SaaS (software como serviços) cresceu de forma acentuada. A terceirização no modelo BPO (Business Process Outsourcing) também cresceu fortemente, tudo isto incentivado pela forma de tratamento contábil/legal, ou seja, tratar estes projetos como OPEX (despesas) ao invés de Capex (investimento em ativo), definiu este modelo.

Todos estes fatores causaram impacto nas equipes de vendas, nos seus resultados e, somente com forte capacidade de adaptação, planejamento e intensa capacitação dos colaboradores os obstáculos poderiam ser vencidos.

O resumo da opera é que apesar do ano difícil, algumas lições devem ser extraídas, a primeira, é que não devemos esperar os maus momentos para mudarmos, antecipar as mudanças externas é via de regra um santo remédio contra crises, o segundo, é um fator resultante de todos os fatores analisados, neste momento, foi possível separar joio de trigo e, descobrir quem são líderes comerciais de verdade e quem são vendedores no sentido completo do termo.

Quanto as mudanças, creio que a citação mais feliz vem de um filósofo grego que certa vez disse:

“Nada é permanente, salvo a mudança”
Heráclito

Até o próximo post!

Forte abraço,


Carlos Maffei

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